O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em clima de cautela diante do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O dólar fechou esta segunda-feira (13) em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,1315, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,20%, aos 175.739 pontos.

A movimentação dos investidores foi influenciada principalmente pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que voltou a elevar as preocupações sobre o fornecimento global de petróleo.

Após novos ataques entre os dois países, o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo. Pelo local passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado internacionalmente, o que aumentou o temor de impactos nos preços da energia.

Com a tensão, o preço do petróleo disparou no mercado internacional. Por volta das 15h50, o barril do Brent, referência global, registrava alta de 9,25%, negociado a US$ 83,04. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, avançava 9,23%, cotado a US$ 78,00.

Tarifas dos EUA contra o Brasil seguem no radar

Além da crise no Oriente Médio, investidores também acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos envolvendo novas tarifas comerciais.

O prazo para a Casa Branca decidir sobre a aplicação de taxas de 25% e 12,5% contra produtos brasileiros termina nesta quarta-feira (15).

A expectativa dentro do governo brasileiro é de que as tarifas possam entrar em vigor, após declarações do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, indicando que os dois países ainda estariam distantes de um entendimento.

Indicadores econômicos entram no foco

No cenário doméstico, os investidores acompanham a divulgação de novos indicadores econômicos, incluindo dados do varejo, volume de serviços referente ao mês de maio e o IBC-Br, considerado uma prévia do desempenho da economia brasileira calculada pelo Banco Central.

O desempenho desses indicadores pode influenciar as expectativas sobre os próximos passos da política econômica e monetária do país.

Mercados internacionais também fecharam em queda

A instabilidade global também afetou as principais bolsas internacionais.

Nos Estados Unidos, os índices encerraram o pregão em baixa. O Dow Jones caiu 0,26%, o S&P 500 recuou 0,78% e o Nasdaq Composite teve queda de 1,55%, em meio ao receio de uma nova escalada militar no Oriente Médio.

Na Europa, o desempenho foi mais equilibrado. O índice STOXX 600, que reúne empresas de diversos países do continente, encerrou praticamente estável. O DAX, da Alemanha, avançou 0,19%, o CAC-40, da França, subiu 0,31%, e o FTSE 100, do Reino Unido, teve alta de 0,01%.

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. O índice CSI 300, que reúne grandes empresas da China, caiu 1,79%, enquanto o índice de Xangai recuou 2,06%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,16%, enquanto o Nikkei, do Japão, caiu 1,92%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou forte queda de 8,95%.

Crise no Oriente Médio aumenta preocupação global

O Irã afirmou que os ataques realizados nesta segunda-feira foram uma resposta às ofensivas dos Estados Unidos contra alvos iranianos nos últimos dias. O governo norte-americano confirmou operações militares na região.

Teerã também ameaçou abandonar o acordo de cessar-fogo firmado anteriormente caso Washington não cumpra compromissos estabelecidos para encerrar o conflito.

Apesar das novas tensões, autoridades iranianas afirmaram que continuam mantendo diálogo com países mediadores, como Catar, Paquistão e Omã, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior.

O cenário internacional segue sendo acompanhado de perto pelos mercados, que avaliam os possíveis impactos econômicos de uma eventual ampliação do conflito, principalmente sobre o petróleo, inflação e moedas globais.