As alergias alimentares em bebês têm se tornado uma preocupação crescente entre pais e profissionais de saúde. Embora diversos fatores possam contribuir para o desenvolvimento do problema, especialistas afirmam que a predisposição genética continua sendo o principal fator de risco para o surgimento dessas reações nos primeiros anos de vida.
Além da herança familiar, aspectos como a formação da microbiota intestinal, hábitos alimentares, uso de medicamentos e fatores ambientais também influenciam o amadurecimento do sistema imunológico da criança.
Histórico familiar aumenta o risco
Segundo o pediatra Iago Vinícius Gonçales Siqueira Oliveira, do Hospital Mater Dei Goiânia, crianças com familiares que apresentam alergias alimentares, dermatite atópica, rinite ou asma possuem maior predisposição para desenvolver reações alérgicas.
De acordo com o especialista, essa condição ocorre porque o sistema imunológico reage de forma exagerada a proteínas que, normalmente, seriam inofensivas para o organismo.
“Embora essas manifestações variem de criança para criança e não ocorram com todas, os principais fatores de risco envolvem o histórico familiar de doenças alérgicas”, explica o médico.
Primeiros meses de vida são decisivos
Apesar da forte influência genética, os especialistas destacam que ela não é a única responsável pelo desenvolvimento das alergias.
Os primeiros meses de vida representam uma fase essencial para a formação do sistema imunológico, período em que a microbiota intestinal exerce papel fundamental. Ela pode ser influenciada pelo tipo de parto, pela alimentação do bebê e pelo uso de medicamentos.
Outro ponto importante destacado pelos especialistas é que não há benefício em adiar a introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo e amendoim.
Quando esses alimentos são oferecidos na idade recomendada, de forma segura e com orientação adequada, podem contribuir para o desenvolvimento da tolerância imunológica, reduzindo o risco de alergias futuras.
Alimentação saudável e aleitamento ajudam na prevenção
As recomendações médicas atuais reforçam a importância de uma alimentação equilibrada durante a gestação, evitando restrições alimentares sem indicação profissional.
Além disso, o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida e a introdução alimentar por volta dos seis meses são considerados medidas importantes para o desenvolvimento saudável da criança.
Alergias podem surgir ao longo da infância
A alergista e imunologista Raquel Letícia Tavares Alves, dos Hospitais Samaritano Higienópolis e Nove de Julho, explica que as alergias podem aparecer em diferentes fases da vida, mesmo após um longo período sem qualquer sintoma.
Esse processo é conhecido como marcha atópica, caracterizado pela evolução das doenças alérgicas ao longo da infância.
Segundo a especialista, muitas crianças apresentam inicialmente dermatite atópica, evoluindo posteriormente para alergias alimentares e, em alguns casos, desenvolvendo rinite alérgica ou asma nos anos seguintes.
Dermatite atópica merece atenção
A médica destaca que crianças com dermatite atópica moderada ou grave possuem maior risco de desenvolver alergias alimentares.
Isso ocorre porque a doença compromete a barreira de proteção da pele, facilitando o contato do sistema imunológico com proteínas presentes no ambiente e nos alimentos, favorecendo a sensibilização alérgica.
Alergias também podem aparecer na vida adulta
Embora sejam mais comuns na infância, as alergias não estão restritas aos primeiros anos de vida.
Segundo Raquel Alves, uma pessoa pode consumir determinado alimento ou conviver com animais de estimação durante anos e, de forma inesperada, passar a apresentar reações alérgicas.
Essa mudança acontece porque o sistema imunológico pode desenvolver sensibilização ao longo da vida, desencadeando respostas alérgicas mesmo após anos de exposição sem qualquer problema.
Quando procurar atendimento médico
Especialistas orientam que pais e responsáveis procurem atendimento médico sempre que o bebê apresentar sintomas após a ingestão de alimentos, como:
- Vermelhidão ou manchas na pele;
- Coceira intensa;
- Inchaço nos lábios ou rosto;
- Vômitos ou diarreia;
- Dificuldade para respirar;
- Chiado no peito.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento com pediatra e alergista são fundamentais para identificar corretamente o alimento responsável, orientar a alimentação da criança e prevenir complicações, garantindo mais segurança e qualidade de vida para toda a família.














