O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (11) em um dia marcado por uma série de fatores capazes de influenciar os mercados financeiros. No Brasil e nos Estados Unidos, novos dados de inflação estão entre os principais indicadores acompanhados pelos investidores, enquanto os preços do petróleo recuam após uma sequência de fortes altas provocadas pelas tensões no Oriente Médio.

Além do cenário econômico internacional, o mercado brasileiro também mantém atenção sobre o ambiente político e eleitoral, que voltou a apresentar novos movimentos nos últimos dias. As pesquisas de intenção de voto e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo investigações de grande repercussão também podem influenciar a percepção dos investidores.

As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começam às 10h. A expectativa é de uma sessão marcada por volatilidade, especialmente diante da divulgação de indicadores capazes de alterar as projeções para os juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Inflação brasileira está no centro das atenções

Um dos principais destaques desta sexta-feira é a divulgação dos novos dados de inflação no Brasil. O mercado espera uma deflação em agosto, cenário que pode reforçar a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, terá espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros.

Dados da B3 divulgados na véspera indicavam uma probabilidade de 95% de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom.

A possibilidade de novos cortes nos juros é acompanhada de perto pelo mercado porque decisões do Banco Central interferem diretamente na atividade econômica, no crédito, nos investimentos e também na cotação do real diante do dólar.

Uma inflação mais controlada pode fortalecer a perspectiva de flexibilização monetária. Por outro lado, uma eventual surpresa negativa nos indicadores poderia levar investidores a recalcular suas apostas para os próximos meses.

O comportamento dos preços também influencia as expectativas das empresas e dos consumidores, tornando os dados de inflação importantes não apenas para o mercado financeiro, mas para a economia como um todo.

Estados Unidos também divulgam inflação

No cenário internacional, a atenção está concentrada nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor, conhecido pela sigla CPI, aparece como um dos principais indicadores do dia.

O dado é especialmente importante porque pode influenciar diretamente a próxima decisão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, sobre os juros.

A inflação ao produtor nos Estados Unidos registrou alta de 0,4% no mês passado, e a expectativa dos investidores é de que o CPI apresente uma elevação semelhante nos preços ao consumidor.

O resultado poderá ajudar o mercado a avaliar se o processo inflacionário norte-americano está desacelerando ou se ainda permanece pressionado.

Uma inflação mais persistente tende a reduzir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve. Já números mais moderados podem aumentar as apostas em uma política monetária menos restritiva.

Como as decisões do Fed têm impacto sobre os fluxos internacionais de capital, o resultado do indicador americano também pode provocar reflexos em moedas e bolsas de outros países, incluindo o Brasil.

Petróleo recua após forte alta

Outro assunto que movimenta os mercados nesta sexta-feira é o petróleo.

Depois de uma forte valorização nos últimos dias, os preços da commodity recuam nesta manhã em um movimento de realização de lucros. Mesmo com a queda, o petróleo continua sendo acompanhado com preocupação diante do aumento das tensões no Oriente Médio.

Perto das 8h50, o barril do Brent, referência internacional, caía 3,21%, cotado a US$ 104,18. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, apresentava queda de 2,81%, negociado a US$ 99,60.

A queda ocorre depois de o petróleo voltar a superar a marca de US$ 105 por barril durante a semana.

Conflito no Oriente Médio aumenta preocupação

A escalada das tensões no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado de energia.

Nesta semana, ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia na Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo.

Os acontecimentos aumentaram a preocupação com a segurança dos embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que ganhou importância como rota alternativa ao Estreito de Ormuz.

Antes do conflito, aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, porém, o fluxo pela região foi severamente reduzido.

O agravamento da situação aumenta o temor de interrupções no fornecimento global de energia. O Irã também afirmou ter atingido embarcações americanas e petroleiros no Golfo, em resposta à destruição de navios iranianos.

Diante desse cenário, bancos e instituições financeiras passaram a revisar para cima suas projeções para o preço do petróleo.

Caso os valores permaneçam elevados, os efeitos podem chegar aos consumidores por meio do aumento dos custos de energia e transporte. A pressão também pode contribuir para uma inflação maior em diferentes economias e dificultar a redução dos juros pelos bancos centrais.

Eleições brasileiras continuam no radar

O ambiente político brasileiro também permanece entre os fatores acompanhados pelos investidores.

Uma pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (10) mostrou uma mudança no cenário de um eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o levantamento, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 46,4% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46,2%.

Como a margem de erro é de um ponto percentual, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

O resultado foi recebido de maneira positiva pelo mercado financeiro e chegou a contribuir para uma mudança na trajetória da Bolsa brasileira durante a sessão anterior.

Pesquisas eleitorais são acompanhadas pelos investidores porque podem influenciar expectativas relacionadas à política econômica, responsabilidade fiscal, investimentos e comportamento dos mercados após as eleições.

STF e caso Banco Master também chamam atenção

Além da disputa eleitoral, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal voltaram a colocar o ambiente político brasileiro no radar dos investidores.

Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial da corporação.

A decisão ocorreu depois de André Mendonça determinar o afastamento dos servidores.

Dino argumentou que a saída de Andrei Rodrigues poderia prejudicar o andamento de investigações sob sua relatoria. O ministro também considerou que o afastamento poderia interferir na organização das equipes responsáveis pelos trabalhos da Polícia Federal.

O episódio ocorre em meio às disputas envolvendo diferentes ministros do STF e às investigações relacionadas ao caso Banco Master.

A movimentação jurídica e política é acompanhada pelo mercado porque decisões institucionais de grande repercussão podem aumentar a percepção de incerteza no ambiente brasileiro.

Bolsas asiáticas fecham em queda

No exterior, as principais bolsas asiáticas encerraram a sexta-feira em baixa, em meio às expectativas relacionadas à política monetária dos Estados Unidos.

Em Xangai, o SSEC recuou 1,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,84%.

Em Hong Kong, o Hang Seng apresentou queda de 0,60%.

No Japão, o Nikkei terminou o pregão com baixa de 1,93%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1,76%.

O desempenho dos mercados asiáticos reflete a cautela dos investidores diante da inflação americana e da possibilidade de novas decisões do Federal Reserve sobre os juros.

Mercado começa o dia atento a vários fatores

A sessão desta sexta-feira reúne, portanto, uma série de elementos capazes de influenciar os ativos brasileiros.

No Brasil, os investidores acompanham os números da inflação e as perspectivas para os próximos passos do Banco Central. Nos Estados Unidos, o CPI pode alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.

Ao mesmo tempo, o petróleo permanece sensível à evolução do conflito no Oriente Médio, enquanto o cenário eleitoral brasileiro e as decisões do STF acrescentam uma dose adicional de incerteza ao ambiente doméstico.

Nesse contexto, o comportamento do dólar e do Ibovespa ao longo do dia deverá refletir não apenas os indicadores econômicos divulgados, mas também a maneira como os investidores interpretarem o conjunto de acontecimentos que movimentam os mercados nesta sexta-feira.

Para o consumidor, os reflexos dessas movimentações podem aparecer de diferentes formas, principalmente nos preços de combustíveis, produtos importados, viagens internacionais e outros itens influenciados pela cotação do dólar e pelo valor do petróleo no mercado global.