O mercado financeiro iniciou a semana em compasso de espera diante dos desdobramentos da crise entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira (29), o dólar voltou a operar em alta, enquanto o Ibovespa apresentou oscilações ao longo da manhã, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da agenda econômica da semana.
Por volta das 11h30, a moeda norte-americana registrava valorização de 0,21%, sendo negociada a R$ 5,1779. Na última sexta-feira (26), o dólar havia encerrado o pregão em queda de 0,20%, cotado a R$ 5,1669.
Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, alternava entre ganhos e perdas, mas mantinha leve alta de 0,05%, aos 173.387 pontos. Na sessão anterior, o índice fechou com avanço de 0,76%, aos 173.295 pontos.
Trégua entre EUA e Irã reduz tensão, mas mercado segue cauteloso
O foco dos investidores permanece voltado para o Oriente Médio. Após uma nova troca de ataques na última sexta-feira, Washington e Teerã concordaram, no domingo (28), em suspender temporariamente as hostilidades e retomar as negociações envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz.
Apesar da nova trégua, a tensão continua elevada, sustentando a alta do petróleo nos mercados internacionais.
No mesmo horário, o barril do petróleo Brent avançava 1,43%, sendo negociado a US$ 73,02, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,76%, alcançando US$ 70,45 por barril.
Dados econômicos entram no radar dos investidores
Além do cenário geopolítico, o mercado acompanha uma semana carregada de indicadores econômicos.
Entre os destaques estão:
- O relatório oficial de emprego dos Estados Unidos (Payroll);
- Os dados do Caged, que mostram a geração de empregos formais no Brasil;
- Novos indicadores da atividade econômica.
Os números serão importantes para reforçar as expectativas sobre os próximos passos das taxas de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Boletim Focus mantém projeções para inflação, câmbio e Selic
Também nesta segunda-feira, o Banco Central divulgou uma nova edição do Boletim Focus, que trouxe estabilidade nas projeções do mercado para inflação, câmbio e taxa Selic em 2026.
A única alteração relevante foi na previsão para o crescimento da economia brasileira, que passou de 1,98% para 1,99%.
O relatório reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras e analistas para os principais indicadores econômicos do país.
Cosan lidera perdas na Bolsa
Entre os destaques negativos do pregão, as ações da Cosan figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa.
Os papéis recuavam quase 3% após a empresa informar que estuda alternativas para sua participação na Rumo como parte de uma estratégia de fortalecimento da estrutura de capital. A companhia também anunciou a contratação do BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar as opções.
Bolsas internacionais
O cenário internacional apresentou desempenho misto nesta segunda-feira.
Nos Estados Unidos, os principais índices operavam em alta impulsionados pela expectativa de redução das tensões no Oriente Médio:
- Dow Jones: +0,61%;
- S&P 500: +0,10%;
- Nasdaq: +0,62%.
Na Europa, predominava o sinal negativo:
- DAX (Alemanha): -0,27%;
- CAC 40 (França): -0,20%;
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,22%.
Já na Ásia, a maioria das bolsas encerrou o pregão em alta, impulsionada principalmente pelos setores de tecnologia, inteligência artificial e consumo.
Ibovespa acumula alta no ano
Mesmo com as oscilações desta segunda-feira, o principal índice da Bolsa brasileira mantém desempenho positivo em 2026:
- Semana: +2,95%;
- Mês: -0,28%;
- Ano: +7,55%.
Analistas avaliam que os próximos dias devem ser marcados por forte volatilidade, à medida que investidores acompanham simultaneamente os desdobramentos da crise entre Estados Unidos e Irã, os indicadores econômicos e as expectativas para a política monetária nas principais economias do mundo.
















