Os índices de reprovação escolar no Brasil continuam em trajetória de queda. Dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que as taxas de repetência atingiram os menores níveis da última década, especialmente no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio, etapas tradicionalmente marcadas por maiores dificuldades de aprendizagem.

A pesquisa revela que, em 2025, a taxa nacional de reprovação no 6º ano do ensino fundamental caiu para 3,6%, bem abaixo dos 13,8% registrados em 2015. Já no 1º ano do ensino médio, o índice ficou em 4,4%, contra 16,6% há dez anos.

A comparação desconsidera os anos de 2020 e 2021, período da pandemia de Covid-19, quando grande parte das redes de ensino evitou reprovações devido ao fechamento prolongado das escolas.

Estados com maiores índices de reprovação

Apesar da redução nacional, alguns estados ainda apresentam taxas acima da média. O levantamento do Inep mostra diferenças significativas entre as unidades da federação, refletindo desafios distintos na aprendizagem, permanência dos estudantes e políticas educacionais adotadas pelas redes públicas.

(Insira aqui o ranking oficial divulgado pelo Inep ou pela reportagem original com os estados e seus respectivos índices.)

Queda da repetência divide especialistas

A reprovação escolar é um tema debatido há décadas no Brasil. Especialistas defendem que repetir de ano pode aumentar o risco de evasão escolar, ampliar a defasagem entre idade e série e desmotivar os estudantes.

Por outro lado, pesquisadores alertam que a simples redução das reprovações não significa necessariamente melhora na aprendizagem.

Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, o foco deve estar na recuperação das aprendizagens.

“É fundamental acompanhar os resultados das avaliações que medem a proficiência dos estudantes. O caminho não é reprovar mais, mas fortalecer estratégias de recomposição das aprendizagens para que cada estudante avance com o conhecimento esperado.”

Mudanças no ensino explicam desafios

O 6º ano do ensino fundamental marca a transição para os anos finais da educação básica, quando os estudantes passam a conviver com diferentes professores e novas disciplinas.

Já o 1º ano do ensino médio representa outra mudança importante. O aumento da complexidade dos conteúdos, especialmente em disciplinas como Física, Química e Matemática, costuma evidenciar dificuldades acumuladas ao longo da trajetória escolar.

Aprovação automática ainda gera debate

Embora muitos associem a queda das reprovações à chamada progressão continuada, popularmente conhecida como “aprovação automática”, o Ministério da Educação esclarece que não existe um levantamento nacional sobre quais redes adotam esse sistema.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) permite que estados e municípios organizem seus ciclos escolares de maneiras diferentes, podendo haver reprovação ao final de cada etapa.

Além disso, os índices de aprovação influenciam diretamente o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o que também coloca a questão no centro das políticas públicas.

Especialistas pedem cautela na análise

Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, os números precisam ser interpretados com cuidado.

Segundo ele, alguns estados registraram reduções expressivas nas taxas de abandono e reprovação, mas esses resultados nem sempre são compatíveis com outros indicadores educacionais.

“Esses dados divulgados precisam ser lidos com certa cautela. Alguns estados têm lançado melhorias enormes na aprovação, reportando que praticamente zeraram o abandono no ensino médio. Mas isso é inconsistente com outros dados que mostram a taxa de jovens fora da escola reduzindo a passos mais lentos.”

Desafio continua sendo garantir aprendizagem

Embora os números representem um avanço na redução da repetência, especialistas concordam que o principal desafio permanece sendo garantir que os estudantes aprendam efetivamente os conteúdos esperados em cada etapa da educação básica.

A avaliação da qualidade do ensino dependerá não apenas das taxas de aprovação, mas também dos resultados de aprendizagem medidos pelas avaliações nacionais nos próximos anos.