O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções contra dois brasileiros e quatro empresas por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida marca a primeira ação desse tipo após a facção ser oficialmente classificada pelos EUA como uma organização terrorista estrangeira.

Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, os sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, sediada em Portugal.

Sanções bloqueiam bens e proíbem negócios

As sanções determinam o bloqueio de todos os bens e ativos dos envolvidos que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos. Além disso, cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar qualquer tipo de transação comercial com os sancionados.

O governo dos EUA também alertou que instituições financeiras estrangeiras que efetuarem operações consideradas relevantes com os alvos das sanções poderão sofrer penalidades secundárias.

As investigações foram conduzidas em conjunto pelo FBI, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e pela força-tarefa do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Investigação aponta lavagem de mais de US$ 30 milhões

De acordo com o Departamento do Tesouro, Victor Henrique de Oliveira Shimada atuava como intermediário entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

As autoridades americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades criminosas em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir os recursos ao Brasil.

Empresa é citada em investigação envolvendo patrocínio ao Corinthians

Victor Shimada é sócio da Victory Trading, empresa que já vinha sendo investigada no Brasil por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio entre o Corinthians e a empresa Vai de Bet.

Sem citar diretamente o clube paulista, o comunicado do governo americano afirma que Shimada foi preso pela Polícia Federal, em janeiro de 2025, por supostamente lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro por meio de um esquema fraudulento de publicidade.

As autoridades dos EUA afirmam ainda que a Victory Trading teria sido utilizada para ocultar recursos ilícitos provenientes desse esquema.

Segundo investigação conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), a empresa realizou um repasse de R$ 200 mil para a UJ Football Talent Intermediação. O dinheiro teria sido destinado posteriormente à empresa Neoway Soluções, apontada como registrada em nome de um suposto “laranja”.

Secretária também foi sancionada

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é apontada pelas autoridades americanas como colaboradora de Victor Shimada.

Segundo o comunicado, ela seria responsável pela organização da logística para recolhimento de grandes quantias em dinheiro vivo utilizadas no suposto esquema de lavagem.

PCC e Comando Vermelho foram classificados como organizações terroristas

No último dia 5 de junho, o governo do presidente Donald Trump classificou oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO).

A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, amplia significativamente os instrumentos legais disponíveis para que os Estados Unidos combatam financeiramente as duas facções, permitindo o bloqueio de ativos, sanções econômicas e ações internacionais contra pessoas e empresas que prestem apoio às organizações.

A classificação também endurece as regras de imigração. Integrantes ou pessoas comprovadamente ligadas ao PCC ou ao Comando Vermelho passam a ter vistos cancelados, tornam-se impedidos de ingressar nos Estados Unidos e podem ser deportados caso estejam em território americano.

Medida amplia combate internacional ao crime organizado

Com a nova classificação, o governo americano passa a tratar o PCC e o Comando Vermelho não apenas como organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas, mas como grupos terroristas internacionais. A mudança fortalece a cooperação entre agências de inteligência e segurança para rastrear fluxos financeiros, identificar redes de apoio e ampliar o combate às atividades das facções fora do Brasil.