As famílias dos dois brasileiros mortos nos terremotos que devastaram a Venezuela vivem agora uma nova batalha: conseguir a repatriação dos corpos para que possam realizar o velório e o sepultamento no Brasil. Em meio ao luto, parentes relatam dificuldades para obter informações e cobram mais agilidade das autoridades responsáveis pelo processo.
Entre as vítimas confirmadas estão a modelo brasiliense Vanessa Zacarias da Silva e o pastor Romildo Batista de Lima, natural de Uberlândia (MG). Ambos morreram após os fortes tremores que atingiram o país e provocaram uma das maiores tragédias da história recente da Venezuela.
A família do pastor Romildo afirma que encontrou obstáculos para conseguir informações junto aos órgãos responsáveis pela assistência aos brasileiros no exterior.
“A gente está tendo muita dificuldade. Nos primeiros dias, não conseguíamos contato com o Itamaraty nem com a embaixada. Precisamos dessas informações para conseguir resolver todas as outras questões”, relatou Isabela, sobrinha do pastor.
O principal desejo da família é garantir que Romildo seja sepultado em solo brasileiro.
“Nosso único desejo é trazer ele de volta para o Brasil, para fazermos um velório com toda a família e proporcionar um enterro digno”, afirmou.
Tragédia já deixou mais de 1,4 mil mortos
O drama das famílias brasileiras acontece em meio ao cenário de destruição causado pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela. Segundo os dados mais recentes, a tragédia já deixou mais de 1,4 mil mortos, além de milhares de feridos e desabrigados.
As equipes de resgate seguem trabalhando em diversas regiões do país na tentativa de localizar sobreviventes e recuperar vítimas que ainda permanecem sob os escombros.
Tremores destruíram bairros inteiros
Os terremotos ocorreram em um intervalo de apenas 39 segundos. O primeiro registrou magnitude 7,2, enquanto o segundo alcançou 7,5, liberando quase três vezes mais energia devido à escala logarítmica utilizada para medir a intensidade dos abalos sísmicos.
Imagens registradas após a tragédia mostram quarteirões completamente destruídos, edifícios reduzidos a escombros e equipes de resgate atuando em condições extremamente difíceis.
Na região de Los Cocos, moradores denunciaram a falta de assistência imediata das autoridades.
“Nem um helicóptero apareceu aqui desde que tudo isso começou. Nem para trazer água ou ajudar no combate aos incêndios”, lamentou um morador.
Histórias de sobrevivência emocionam
Apesar da devastação, algumas histórias de resgate emocionaram o país.
Um bebê foi retirado dos escombros e passado de mão em mão até chegar em segurança aos braços do pai. Pouco depois, sua mãe, identificada como Dayana, também foi resgatada com vida, sob aplausos dos voluntários.
Outra sobrevivente, Carmen, permaneceu presa por cerca de cinco horas sob os destroços de um prédio.
“Percebi que o prédio estava desmoronando. Depois tudo ficou escuro, cheio de poeira, e pensei: ‘Estou viva'”, contou.
Ela foi localizada após ouvir a voz de um socorrista durante a madrugada. O resgate contou com a ajuda de voluntários e do primo da vítima, Beto, que conseguiu levá-la a um hospital em Caracas.
Segundo ele, além do trauma, a família agora enfrenta outro desafio: os altos custos do tratamento.
“O plano de saúde não cobre acidentes provocados por terremotos. Agora teremos uma conta muito alta para pagar”, afirmou.
Processo de repatriação
A repatriação de brasileiros mortos no exterior depende de uma série de procedimentos legais, incluindo a liberação das autoridades locais, emissão da documentação necessária e organização do transporte internacional dos corpos.
Enquanto aguardam o andamento desse processo, as famílias de Vanessa Zacarias da Silva e Romildo Batista de Lima seguem mobilizadas para conseguir trazer seus entes queridos de volta ao Brasil e realizar a despedida ao lado de amigos e familiares.
A tragédia na Venezuela continua mobilizando equipes de resgate e autoridades internacionais, enquanto cresce o número de vítimas e desaparecidos nas áreas mais afetadas pelos terremotos.














