A candidata da direita Keiko Fujimori conquistou a maioria dos votos válidos nas eleições presidenciais do Peru após a apuração de 100% das urnas, segundo dados divulgados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Agora, o país aguarda apenas a oficialização do resultado pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE).

De acordo com o balanço final da apuração, Keiko Fujimori recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,13% do total. O candidato de esquerda Roberto Sánchez obteve 9.137.755 votos, correspondendo a 49,87%. A diferença entre os dois foi de 49.641 votos.

A proclamação oficial do resultado depende da conclusão dos relatórios das cortes regionais, procedimento conduzido pelo JNE, órgão máximo da Justiça Eleitoral peruana, que tem prazo até a próxima sexta-feira (3) para confirmar oficialmente o resultado.

Contestação e pedido de recontagem

Mesmo após o encerramento da apuração, Roberto Sánchez contestou os números divulgados e alegou supostas irregularidades no processo eleitoral. O candidato afirmou que pretende apresentar um pedido formal de recontagem dos votos e convocou apoiadores para manifestações públicas.

A vantagem de Keiko Fujimori foi consolidada nos momentos finais da contagem, principalmente com a inclusão dos votos dos peruanos residentes no exterior. Em resposta, Sánchez ingressou com um recurso solicitando a anulação da votação internacional, alegando problemas na condução das cédulas eleitorais.

Especialistas em direito eleitoral consultados pela imprensa peruana avaliam que o recurso possui poucas chances de prosperar, por não apresentar fundamentos legais suficientes. Na avaliação dos analistas, a iniciativa pode ter como objetivo retardar a oficialização do resultado.

Discurso de união

Em pronunciamento realizado na capital, Lima, Keiko Fujimori adotou um discurso de conciliação. A candidata destacou que o país atravessa um período de forte polarização política e afirmou que, caso sua vitória seja confirmada oficialmente, buscará promover a união entre os peruanos.

Se a eleição for homologada pelo JNE, Fujimori assumirá a presidência de um país que enfrenta uma prolongada crise política. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes, em meio a sucessivos processos de impeachment, renúncias e mudanças no comando do Poder Executivo, cenário que reforça os desafios do próximo governo.