Estudo vai avaliar dois medicamentos contra a variante Bundibugyo, que ainda não possui vacina nem tratamento aprovado e causa surto grave
A República Democrática do Congo deu um passo importante no combate ao ebola ao iniciar o primeiro ensaio clínico destinado a avaliar possíveis tratamentos para a variante Bundibugyo do vírus. O anúncio foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (2), em meio ao surto que afeta o país desde maio e já provocou centenas de mortes.
Batizado de Partners, o estudo começou com a inclusão do primeiro paciente e busca identificar terapias capazes de reduzir a mortalidade causada pela doença. Os pesquisadores irão testar dois medicamentos já conhecidos pela comunidade científica: o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir. Os tratamentos serão avaliados tanto de forma isolada quanto em combinação.
Segundo a OMS, todos os participantes receberão acompanhamento médico rigoroso e cuidados de suporte durante pelo menos 28 dias após o início do tratamento, permitindo aos cientistas monitorar a eficácia e a segurança das terapias.
Surto preocupa autoridades de saúde
Desde que o surto foi oficialmente declarado, em 15 de maio, mais de 1,4 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença na República Democrática do Congo. Entre os pacientes infectados, cerca de 210 conseguiram se recuperar, enquanto aproximadamente 440 morreram em decorrência da infecção.
Os dados mais recentes apontam que a transmissão continua ativa, com uma média de 38 novos casos confirmados diariamente nas últimas duas semanas, cenário que mantém autoridades sanitárias em estado de alerta.
Além do início do ensaio clínico, a OMS autorizou o uso emergencial do primeiro teste molecular desenvolvido especificamente para identificar a variante Bundibugyo. A expectativa é que a nova ferramenta contribua para diagnósticos mais rápidos e precisos, permitindo uma resposta mais eficiente ao avanço da doença.
Busca por tratamento inédito
O atual surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus ebola, considerada uma das cepas mais raras da doença. Até o momento, não existe vacina nem tratamento específico aprovado para essa variante.
Embora terapias eficazes já tenham sido desenvolvidas para outras formas do ebola, nenhuma apresentou resultados comprovados contra a cepa Bundibugyo. Por isso, os cientistas esperam que o estudo possa fornecer evidências capazes de orientar futuras estratégias de tratamento.
Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a iniciativa representa uma oportunidade concreta de avanço científico em meio à crise sanitária.
“O estudo Partners oferece uma esperança real de que possamos alcançar resultados concretos para, e com, as comunidades no epicentro do surto”, afirmou o dirigente em comunicado divulgado pela organização.
Cooperação internacional
O ensaio clínico é coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da República Democrática do Congo e conta com a colaboração de importantes instituições internacionais, incluindo a Universidade de Oxford, o Instituto de Medicina Tropical da Bélgica, a Organização Mundial da Saúde e outros centros de pesquisa.
As autoridades de saúde acreditam que os resultados obtidos poderão contribuir não apenas para o enfrentamento do surto atual, mas também para o desenvolvimento de estratégias de resposta mais eficazes diante de futuras epidemias causadas pelo vírus ebola.
Enquanto os estudos avançam, equipes médicas seguem atuando no controle da transmissão e no atendimento às comunidades afetadas, em uma corrida contra o tempo para reduzir o impacto de uma das doenças mais letais do mundo.

















