Estudo mostrou que teste mais sensível encontrou sinais do câncer no sangue em casos não identificados pelo método convencional

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Northwestern Medicine, nos Estados Unidos, traz uma nova perspectiva para o acompanhamento de pacientes com câncer de pâncreas, um dos tipos mais agressivos da doença. O estudo indica que um exame de sangue altamente sensível pode identificar sinais microscópicos do tumor que passam despercebidos pelos métodos tradicionais, ajudando médicos a detectar pacientes com maior risco de progressão da enfermidade.

Os resultados foram publicados nesta terça-feira (30) na revista científica Clinical Cancer Research e representam um avanço importante na busca por estratégias que permitam monitorar a doença de forma mais precisa após o tratamento.

Pesquisa acompanhou mais de 100 pacientes

O estudo acompanhou 106 pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas localizado entre os anos de 2020 e 2024. Todos os participantes passaram por quimioterapia antes da cirurgia para retirada do tumor.

O objetivo dos pesquisadores era avaliar a presença de vestígios microscópicos da doença no organismo, mesmo após os tratamentos considerados bem-sucedidos.

Para isso, foi utilizado um exame de sangue capaz de identificar fragmentos de material genético liberados por células cancerígenas na corrente sanguínea.

Como funciona o teste

O exame busca detectar o chamado DNA tumoral circulante, composto por pequenas partículas liberadas pelo tumor no sangue.

A presença desse material pode indicar que ainda existem células cancerosas no organismo, mesmo quando exames de imagem não mostram sinais evidentes da doença.

Os cientistas concentraram a análise em alterações do gene KRAS, uma mutação encontrada na maioria dos casos de câncer de pâncreas.

Para avaliar a eficácia da estratégia, foram comparadas duas técnicas laboratoriais:

  • Sequenciamento de Nova Geração (NGS), já utilizado na prática clínica;
  • PCR Digital em Gotas (ddPCR), método mais sensível para identificar alterações genéticas específicas.

Método mais sensível identificou mais pacientes em risco

Os resultados mostraram uma diferença significativa entre as duas técnicas.

No momento do diagnóstico, o método convencional detectou fragmentos tumorais em apenas 17 dos 99 pacientes avaliados.

Já a técnica ddPCR encontrou sinais da doença em 63 dos 97 pacientes analisados, demonstrando uma capacidade muito maior de identificar alterações genéticas associadas ao câncer.

Segundo os pesquisadores, muitos pacientes que tiveram resultado negativo no exame tradicional apresentaram resultado positivo no teste mais sensível e, posteriormente, mostraram evolução clínica menos favorável.

Sobrevida variou conforme os resultados

Ao cruzarem os dados dos dois exames, os cientistas observaram diferenças importantes na expectativa de evolução dos pacientes.

Os indivíduos que apresentaram resultado positivo em ambas as técnicas tiveram a menor sobrevida mediana, de aproximadamente 10 meses.

Entre aqueles identificados apenas pelo exame mais sensível (ddPCR), a sobrevida mediana foi de 26 meses.

Já os pacientes que não apresentaram sinais do tumor em nenhum dos testes registraram a melhor evolução, com mediana de sobrevida de 40 meses.

Os resultados sugerem que a combinação dos exames pode oferecer informações valiosas para a definição do acompanhamento médico após o tratamento.

Um dos cânceres mais desafiadores da medicina

O câncer de pâncreas é considerado uma das formas mais agressivas da doença, principalmente porque costuma ser diagnosticado em estágios avançados.

A enfermidade ocorre quando células anormais passam a se multiplicar de forma descontrolada no pâncreas, formando tumores que podem comprometer o funcionamento do órgão e se espalhar para outras regiões do corpo.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Dor abdominal ou nas costas;
  • Perda de apetite;
  • Emagrecimento sem causa aparente;
  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Urina escura;
  • Fezes claras;
  • Coceira na pele;
  • Indigestão frequente;
  • Cansaço persistente.

O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.

Esperança para um acompanhamento mais preciso

Embora os resultados sejam considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que a estratégia ainda precisa ser validada em estudos maiores antes de ser incorporada à rotina hospitalar.

A expectativa é que, no futuro, exames de sangue mais sensíveis permitam identificar precocemente sinais de retorno da doença, possibilitando intervenções mais rápidas e personalizadas.

Para pacientes e familiares que enfrentam o desafio do câncer de pâncreas, avanços como esse representam uma esperança de diagnósticos mais precisos e de um acompanhamento cada vez mais eficaz na luta contra uma das doenças mais complexas da medicina moderna.