Karol G vive um dos momentos mais marcantes de sua carreira e, em meio ao sucesso internacional, mantém um objetivo que considera especial: conquistar cada vez mais espaço no Brasil. A cantora colombiana, que vem lotando grandes estádios com a turnê “Viajando Por El Mundo Tropitour”, tem demonstrado uma admiração crescente pela música e pela cultura brasileiras, especialmente pelo funk.
A artista está em uma fase de grande projeção internacional. Ao longo de 2026, alcançou o topo do Spotify global com a música “Bby Wow”, recebeu sete indicações ao Grammy Latino e lançou colaborações com nomes de peso da música internacional, como Drake e Bruno Mars.
Mesmo com uma carreira consolidada entre os grandes nomes da música latina, Karol G reconhece que o Brasil representa um desafio diferente. O país possui um mercado musical gigantesco e, historicamente, artistas que cantam em espanhol nem sempre conseguem ultrapassar a barreira linguística e alcançar o grande público brasileiro.
Para a cantora, essa aproximação não acontece de forma imediata. É um processo que vem sendo construído aos poucos, por meio de colaborações, referências culturais e apresentações que procuram dialogar diretamente com o público brasileiro.
Brasil ganha espaço no espetáculo
O g1 acompanhou uma das apresentações de Karol G no MetLife Stadium, em Nova York, no dia 17 de setembro. A cantora realizou duas apresentações no estádio, ambas com 53 mil ingressos esgotados por noite.
Durante o espetáculo, a artista apresenta uma grande mistura de elementos musicais, culturais e visuais ligados à América Latina. E o Brasil ocupa um espaço significativo nessa construção.
Entre as referências utilizadas no show estão uma versão de “Tá Ok”, música que se tornou um fenômeno no cenário brasileiro, além de elementos ligados ao Carnaval e diversos momentos inspirados no funk.
A presença dessas referências não acontece por acaso. Karol G afirma que deseja que cada apresentação tenha elementos que representem diferentes partes da América Latina e considera o Brasil uma peça importante nessa proposta.
“Eu queria garantir que tivesse um pedacinho da América Latina em cada música, e o Brasil tem uma magia incrível para mim”, afirmou a cantora durante uma coletiva de imprensa.
Ela também revelou que, além do funk, acompanha a música sertaneja brasileira.
“O funk me fascina, a música sertaneja me encanta demais, ouço muito. Consigo encontrar minhas formas de ir me aproximando cada vez um pouquinho mais, e o Brasil não fica de fora”, explicou.
Funk como símbolo de liberdade
Um dos momentos de maior destaque do show acontece quando Karol G deixa o palco principal e segue para uma segunda estrutura, transformada em uma espécie de piscina.
É nesse momento que a cantora combina elementos do funk brasileiro com o reggaeton, criando uma apresentação marcada pela dança, sensualidade e energia.
Para Karol G, o funk representa muito mais do que um ritmo musical. Ela também enxerga no gênero uma forma de expressão corporal e de empoderamento.
“O funk me dá muita alegria, me faz sentir linda, me faz sentir sexy, me faz sentir que danço de forma impressionante”, declarou.
A cantora ainda citou movimentos característicos das coreografias brasileiras e demonstrou entusiasmo ao falar sobre a maneira como o gênero mistura música, dança e atitude.
A identificação de Karol G com o funk também acompanha uma tendência de aproximação cada vez maior entre artistas internacionais e a música urbana brasileira. O gênero, que nasceu e se desenvolveu principalmente nas periferias do país, ultrapassou fronteiras e passou a influenciar produções de artistas de diferentes partes do mundo.
“O Brasil é como um planeta”
Apesar da grande popularidade de Karol G entre os fãs de música latina, a própria artista reconhece que ainda não alcançou no Brasil o mesmo nível de presença que possui em outros mercados.
Ela considera essa conquista um sonho antigo.
Segundo a cantora, o Brasil possui uma identidade cultural tão forte que pode ser comparado a um universo próprio.
“Gosto muitíssimo da cultura de vocês e gosto muito de como são as cores e os matizes que vocês têm”, afirmou.
Karol G também lembrou de experiências anteriores no país, incluindo sua participação em carnavais e festas brasileiras.
Para ela, a energia encontrada nessas celebrações é algo difícil de comparar com outros lugares.
“Ninguém está atento a ninguém, todo mundo está em si mesmo, as pessoas estão como em uma energia espetacular”, disse.
A artista resumiu sua percepção de maneira simbólica ao afirmar que o Brasil parece “um planeta” ou “o seu próprio universo”.
Desafio de conquistar o público brasileiro
A relação entre artistas internacionais que cantam em espanhol e o mercado brasileiro costuma ser marcada por uma dificuldade específica: a diferença de idioma.
Embora o Brasil faça parte da América Latina, sua tradição musical possui características próprias e o consumo do público é fortemente concentrado em artistas e gêneros nacionais.
Karol G reconhece essa particularidade e não esconde que ainda busca uma música que tenha grande repercussão no país.
“Sempre foi um sonho romper essa barreira e ter a oportunidade de entrar em um lugar que me causa tanta graça e que eu gosto tanto”, afirmou.
A cantora reconheceu que o processo ainda está em construção.
“Tem sido um processo entrar no Brasil. Acho que ainda não tive uma música que esteja no top ou algo assim, mas tive a oportunidade de cantar com artistas daí, de me conectar com artistas daí e eu amo”, declarou.
Para ela, cada apresentação no país representa uma nova oportunidade de estreitar essa relação.
Turnê terá novidades no Brasil
Karol G também antecipou que os shows brasileiros terão elementos diferentes daqueles apresentados em outras partes da turnê.
A cantora afirmou que pretende ampliar a presença da cultura brasileira no espetáculo quando chegar ao país.
“De certa forma vamos conseguir que, quando estivermos no Brasil, esse universo esteja ainda mais presente”, contou.
Segundo a artista, o público poderá perceber diferenças entre o espetáculo apresentado atualmente em outros países e a versão preparada para o Brasil.
A promessa aumenta a expectativa dos fãs brasileiros, que aguardam a passagem da turnê pelo país em fevereiro.
Karol G não revelou todos os detalhes das novidades, mas garantiu que a música urbana brasileira estará presente.
“Trouxemos um pedacinho dessa música urbana do Brasil que eu gosto tanto”, afirmou.
Uma relação que ainda está sendo construída
Mesmo diante de uma carreira internacional consolidada, Karol G demonstra cautela ao falar sobre sua presença no Brasil. Em vez de tratar uma eventual conquista do mercado brasileiro como algo garantido, a cantora afirma que prefere aproveitar cada oportunidade para construir uma relação gradual com o público.
“Eu nunca dou nada por garantido”, afirmou.
A artista também destacou que enxerga sua carreira como uma trajetória ainda em expansão e que considera ter alcançado apenas uma pequena parte do que pretende conquistar.
Para Karol G, o sucesso não está apenas nos números, mas na possibilidade de alcançar novos públicos e estabelecer conexões culturais.
A passagem pelo Brasil será, nesse sentido, mais uma etapa desse processo.
A expectativa da cantora é que os shows ajudem a aproximá-la ainda mais dos brasileiros e permitam que o público conheça uma versão especialmente adaptada do espetáculo.
“Espero que depois do show se consolide um pouquinho mais essa nossa relação com os brasileiros. Essa é a minha ilusão”, declarou.
Com o funk ocupando espaço importante no espetáculo e com novas referências brasileiras sendo preparadas para a turnê, Karol G chega ao país disposta a transformar admiração em conexão.
A cantora colombiana já conquistou grandes palcos e milhões de fãs ao redor do mundo. Agora, mira um público conhecido por sua forte identidade musical e por sua relação intensa com a dança e a cultura popular.
Para Karol G, conquistar o Brasil não parece ser apenas uma questão de alcançar números. É também uma oportunidade de estabelecer uma ponte entre diferentes culturas latino-americanas, aproximando o reggaeton, o funk e outras manifestações musicais que atravessam fronteiras.
E, pelo que a cantora deixa claro, essa aproximação está apenas começando.















