Texto prevê a criação da política nacional de exploração de minerais críticos. Brasil é a segunda maior reserva de terras raras do mundo, elementos essenciais para a produção de carros elétricos, computadores e celulares, por exemplo.

Câmara dos Deputados deve votar, nesta terça-feira (5), um projeto de lei que cria a política nacional para exploração de minerais críticos e estratégicos no país, entre eles as terras raras, elementos que são essenciais para produtos de alta tecnologia, como carros elétricos, computadores e celulares.

O texto do relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), foi apresentado na noite dessa segunda-feira (4), e prevê a criação de um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para incentivar projetos na área, incluindo recursos públicos e privados.

O projeto quer garantir a exploração e a transformação desses minerais dentro do Brasil, limitando as vendas do minério bruto, para que o país não seja apenas exportador de matéria-prima e passe a atuar no desenvolvimento tecnológico.

O objetivo do governo é que o projeto seja aprovado antes da visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, nesta semana. A previsão é que Lula se reúna com Donald Trump na quinta-feira (7), e o tema deve entrar na pauta do encontro.

Os chamados minerais críticos — entre eles as terras raras — são considerados estratégicos por sua importância na produção de tecnologias para geração e armazenamento de energia limpa, além de serem usados nas indústrias eletrônica e militar.

O Brasil é a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Por isso, o tema é alvo de atenção do governo Trump.

O que diz o projeto de lei?

A proposta cria a Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos e Estratégicos, entre eles as terras raras.

Esses elementos químicos são essenciais para produtos de alta tecnologia, como a bateria do celular, do carro elétrico, o chip do computador e também nos painéis solares e turbinas eólicas.

A busca por lítio, níquel, nióbio e terras raras, entre outros, passou a ser uma prioridade mundial. O Brasil possui a segunda maior reserva do planeta, atrás apenas da China, mas a exploração aqui ainda é muito pequena.

Há apenas uma mina de terras raras em operação no país: a Serra Verde, em Goiás. Ela funciona desde 2024 e produz argila iônica. Em abril de 2026, foi comprada por uma empresa americana.

O relator do projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos e estratégicos, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), apresentou nesta segunda-feira (4) um relatório que autoriza a criação de um fundo garantidor de até R$5 bilhões para estimular projetos na área.

Desse montante, R$ 2 bilhões serão recursos públicos. O texto estabelece que, para ter acesso aos incentivos, os projetos terão que garantir tecnologia de transformação para o país. Institui, também, um Conselho de Minerais Estratégicos para definir as diretrizes e aprovar os projetos de mineração.

A proposta está em regime de urgência e na pauta do plenário da Câmara desta semana. Se aprovada, segue para avaliação do Senado.

Por que ele é importante para a reunião com Trump?

O tema é considerado estratégico para ambos os países e que está na pauta dos negociadores brasileiros. Mas, os Estados Unidos e o Brasil têm posições diferentes sobre a exploração de minerais críticos no país.

De um lado, o governo norte-americano defende acesso mais facilitado a projetos de mineração, especialmente em jazidas de terras raras. A proposta inclui reduzir barreiras a investimentos estrangeiros e agilizar o licenciamento ambiental dessas iniciativas.

Do outro, o governo brasileiro sustenta a necessidade de maior controle estatal sobre esses projetos. A posição também prevê que os investimentos contemplem o beneficiamento dos minerais no país, e não apenas a exportação da matéria-prima.

Os chamados minerais críticos — entre eles as terras raras — são considerados estratégicos por sua importância na produção de tecnologias para geração e armazenamento de energia limpa, além de serem usados nas indústrias eletrônica e militar.

G1