Com convenções marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, pré-candidatos buscam nomes que ampliem alianças, reduzam resistências eleitorais e fortaleçam suas campanhas.
Faltando menos de um mês para o início das convenções partidárias, os principais pré-candidatos à Presidência da República aceleram as negociações para definir os nomes que irão compor suas chapas como candidatos à vice-presidência. Além de fortalecer alianças políticas, a escolha do vice é vista como estratégica para ampliar o alcance eleitoral e garantir mais tempo de propaganda no rádio e na televisão.
As convenções partidárias acontecerão entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, período em que partidos e federações oficializarão seus candidatos para as eleições de 2026.
Especialistas apontam que, tradicionalmente, a escolha do vice vai além da composição da chapa. O objetivo é transmitir sinais ao eleitorado, conquistar novos segmentos e ampliar a base de apoio político.
Segundo o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o vice dificilmente transfere uma quantidade significativa de votos, mas representa uma importante mensagem política.
“Mais do que agregar votos diretamente, o vice simboliza uma aproximação com determinados grupos do eleitorado e pode fortalecer alianças partidárias”, avalia.
Lula mantém Geraldo Alckmin na chapa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter o vice-presidente Geraldo Alckmin como companheiro de chapa, repetindo a aliança que venceu as eleições de 2022.
A permanência de Alckmin foi confirmada em março, após meses de discussões internas. Entre os argumentos favoráveis estão sua atuação discreta, a fidelidade política e o desempenho nas articulações econômicas, especialmente diante das disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos.
Apesar disso, setores do governo chegaram a defender um vice do MDB, acreditando que a legenda poderia ampliar o diálogo com setores mais ao centro do eleitorado. A proposta, porém, perdeu força diante das divergências internas do partido.
Flávio Bolsonaro procura uma mulher para vice
No PL, a equipe do senador Flávio Bolsonaro trabalha para formar uma chapa que possa ampliar sua presença entre o eleitorado feminino.
Aliados afirmam que a escolha de uma mulher tornou-se prioridade estratégica. Além da questão eleitoral, a intenção é buscar uma representante de um partido do Centrão, fortalecendo possíveis alianças e ampliando o tempo de propaganda eleitoral.
Entre os nomes mais citados nas conversas estão:
- Simone Marquetto (PP-SP);
- Clarissa Tércio (PP-PE);
- Tereza Cristina (PP-MS).
Cada uma reúne características consideradas importantes pela campanha, como influência em diferentes regiões do país, aproximação com públicos religiosos ou ligação com o agronegócio.
Dentro do partido também houve quem defendesse o nome da deputada Julia Zanatta (PL-SC), mas integrantes da campanha avaliam que uma chapa formada apenas por filiados do PL teria menor capacidade de atrair novos apoios políticos.
Zema negocia aliança com o Podemos
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pretende anunciar seu candidato a vice nos próximos dias.
Um dos nomes mais cotados é o empresário, escritor e palestrante Geraldo Rufino, filiado ao Podemos.
Além de representar diversidade na composição da chapa, Rufino poderia facilitar uma aliança entre Novo e Podemos, garantindo ao presidenciável maior tempo de televisão durante a campanha.
Apesar das conversas avançadas, ainda não existe definição oficial.
Caiado prefere aguardar cenário político
Na equipe do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, a orientação é esperar o período das convenções para definir o nome do vice.
Aliados avaliam que o cenário político da direita ainda pode sofrer mudanças importantes antes da oficialização das candidaturas, motivo pelo qual qualquer decisão antecipada seria considerada precipitada.
Outro desafio da campanha é ampliar o tempo de propaganda eleitoral, considerado essencial para aumentar o conhecimento do eleitor sobre sua candidatura.
Renan Santos ainda busca definição
O presidenciável Renan Santos, do partido Missão, também ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice.
A expectativa é de que a escolha aconteça durante o período das convenções partidárias. Segundo integrantes da campanha, o nome poderá surgir dentro da própria legenda, embora não esteja descartada uma composição com outro partido.
Convenções serão decisivas
Além da definição dos candidatos a vice, o período das convenções partidárias será decisivo para a formação das coligações que disputarão as eleições presidenciais de 2026.
Essas alianças influenciam diretamente o tempo de propaganda eleitoral gratuita, a estrutura das campanhas e a capacidade de articulação política dos candidatos, tornando a escolha dos vices uma das etapas mais estratégicas do calendário eleitoral.
















