O empresário americano Bryan Johnson, conhecido mundialmente por investir milhões de dólares em tratamentos e hábitos voltados ao rejuvenescimento, revelou que foi diagnosticado com gastrite autoimune, uma doença em que o sistema imunológico passa a atacar o próprio estômago.
A revelação foi feita por meio de uma sequência de publicações nas redes sociais, nas quais Johnson descreveu a condição de forma impactante: “Meu estômago está devorando a si mesmo”.
Segundo o empresário, ele conviveu por mais de uma década com baixos níveis de ferritina — proteína responsável pelo armazenamento de ferro no organismo — sem apresentar anemia aparente, o que dificultou a identificação do problema.
Diagnóstico só foi confirmado após exames detalhados
Johnson contou que seus exames convencionais mostravam níveis normais de hemoglobina e hematócrito, mascarando a doença durante anos.
A investigação avançou somente quando sua equipe médica insistiu na realização de uma endoscopia bidirecional com múltiplas biópsias, exame que confirmou a gastrite autoimune ainda em estágio inicial.
Segundo ele, caso apenas uma avaliação visual tivesse sido feita durante a endoscopia, a doença poderia continuar sem diagnóstico.
O que é gastrite autoimune?
De acordo com o gastroenterologista Rogério Alves, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a gastrite autoimune é uma doença em que o sistema imunológico passa a atacar as células do revestimento do estômago.
Esse processo provoca uma inflamação crônica que reduz a capacidade de absorção de nutrientes importantes, principalmente vitamina B12 e ferro, podendo causar diversas complicações ao longo do tempo.
Nos estágios iniciais, muitas pessoas não apresentam sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns são:
- Cansaço constante;
- Fraqueza;
- Anemia;
- Desconforto abdominal;
- Náuseas;
- Sensação de estômago cheio mesmo após pequenas refeições.
O especialista explica que a doença possui origem autoimune e está relacionada à predisposição genética, sendo mais frequente em pessoas com histórico familiar de outras doenças autoimunes.
Ele também ressalta que não existem evidências científicas de que alimentação inadequada, estresse ou fatores ambientais sejam responsáveis pelo surgimento da gastrite autoimune.
Tratamento envolve reposição de nutrientes
O tratamento consiste principalmente na reposição dos nutrientes que deixam de ser absorvidos pelo organismo, especialmente vitamina B12 e, quando necessário, ferro.
Além disso, o acompanhamento regular com um gastroenterologista é essencial para monitorar a evolução da doença e prevenir possíveis complicações.
Quem é Bryan Johnson?
Aos 47 anos, Bryan Johnson ficou conhecido por transformar o próprio corpo em um experimento científico na tentativa de retardar o envelhecimento.
Empresário do setor de tecnologia, ele possui patrimônio estimado em cerca de US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 2,2 bilhões).
Johnson fundou a plataforma de pagamentos Braintree, vendida ao PayPal em 2013 por cerca de US$ 800 milhões. Posteriormente, criou a empresa Kernel, voltada ao desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina.
O polêmico protocolo Blueprint
Nos últimos anos, Johnson ganhou notoriedade com o chamado Blueprint, um protocolo de longevidade que reúne uma rotina extremamente rigorosa para tentar reduzir sua idade biológica.
Entre os hábitos divulgados por ele estão:
- Acordar diariamente às 4h30;
- Dormir às 20h30;
- Praticar exercícios físicos por uma hora todas as manhãs;
- Fazer sessões frequentes de sauna;
- Consumir cerca de 54 comprimidos por dia entre vitaminas e medicamentos;
- Seguir uma dieta vegana com até 2.250 calorias diárias;
- Evitar completamente bebidas alcoólicas, doces e gorduras;
- Utilizar terapias experimentais, como luz vermelha para estimular o crescimento capilar e sessões de ondas de choque.
Algumas práticas mais controversas incluíram transfusões de plasma com sangue do próprio filho e o uso de dispositivos durante o sono, iniciativas que não apresentaram benefícios comprovados.
Especialistas questionam método
Embora Johnson afirme monitorar centenas de indicadores de saúde diariamente, especialistas alertam que diversas medidas adotadas no protocolo não possuem comprovação científica robusta.
Médicos também demonstram preocupação com o consumo elevado de suplementos e medicamentos, destacando que o uso simultâneo de muitas substâncias pode provocar efeitos adversos e, em alguns casos, trazer mais riscos do que benefícios.
O protocolo Blueprint virou tema do documentário “Don’t Die”, lançado em 2023, no qual o empresário apresenta sua busca por prolongar a vida e desacelerar o envelhecimento. Apesar das alegações de redução da idade biológica, parte da comunidade científica segue questionando a eficácia de várias das estratégias adotadas por Johnson.

















