Estresse financeiro afeta saúde mental de 72% dos entrevistados; falta de reserva de emergência e endividamento agravam cenário
O dinheiro passou a ocupar o topo da lista de preocupações dos brasileiros, superando temas tradicionalmente considerados prioritários, como saúde, família, trabalho e segurança. É o que revela uma pesquisa realizada entre os dias 26 de maio e 1º de junho, com 8.391 participantes de diferentes perfis, incluindo trabalhadores com carteira assinada (CLT), microempreendedores individuais (MEIs), empresários, aposentados, servidores públicos e pessoas desempregadas.
O levantamento mostra que a insegurança financeira tem provocado impactos cada vez mais profundos na vida da população. Entre os entrevistados, 58% afirmaram que o maior medo é não ter dinheiro suficiente para enfrentar situações de emergência, como problemas de saúde, acidentes ou a necessidade de ajudar familiares.
Outra preocupação recorrente é a dificuldade para pagar as contas mensais, apontada por 33% dos participantes. Também aparecem entre os principais receios garantir um futuro melhor para os filhos (25%) e conseguir quitar dívidas ou limpar o nome (22%).
Mais da metade não possui reserva financeira
Os dados revelam que 56% dos brasileiros não possuem qualquer reserva de emergência, realidade que se mantém pelo quarto ano consecutivo. Outros 15% afirmam não apenas não ter reserva, mas também estarem endividados.
Além disso, 53% disseram que a renda mensal não é suficiente para cobrir todas as despesas ou que enfrentam problemas como dívidas e restrições no nome.
Outro dado que chama atenção é que 78% dos entrevistados sustentam pelo menos um dependente total ou parcial, aumentando a pressão sobre o orçamento familiar.
Cartão de crédito lidera entre as dívidas
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento. Cerca de 60% dos entrevistados afirmaram possuir dívidas relacionadas à fatura ou ao parcelamento do cartão.
Na sequência aparecem:
- Empréstimo pessoal (30%);
- Crédito consignado, incluindo o Crédito do Trabalhador (26%).
Segundo a pesquisa, 45% recorrem ao crédito para conseguir pagar despesas básicas, como alimentação, contas de água, energia e outras necessidades do dia a dia.
Outros 23% utilizam empréstimos para lidar com emergências inesperadas, enquanto 13% recorrem ao crédito para renegociar dívidas ou regularizar a situação financeira.
Especialistas alertam que o cartão de crédito cria uma falsa sensação de aumento da renda, fazendo com que muitas pessoas gastem além da capacidade de pagamento e acabem entrando em uma sequência de juros elevados.
Falta de educação financeira agrava o problema
A pesquisa também aponta dificuldades relacionadas ao planejamento financeiro. Mais da metade dos entrevistados (53%) afirmou que conversa pouco ou nunca conversa sobre dinheiro dentro da família.
Além disso:
- 63% não possuem qualquer proteção financeira para casos de morte ou invalidez;
- 89% nunca buscaram orientação especializada para organizar as finanças ou sair do endividamento.
Especialistas destacam que a ausência de educação financeira desde cedo dificulta a criação de hábitos de planejamento e aumenta a vulnerabilidade das famílias diante de imprevistos.
Impacto direto na saúde mental
A instabilidade financeira também vem provocando reflexos importantes na saúde emocional dos brasileiros.
Segundo o levantamento, 72% afirmam que os problemas financeiros afetam diretamente sua saúde mental, emocional e qualidade de vida.
Entre os sintomas mais relatados estão:
- Ansiedade (65%);
- Insônia (53%);
- Depressão (18%).
Em situações mais graves, 9% disseram que as preocupações com dinheiro chegam a provocar problemas físicos.
Especialistas explicam que a constante preocupação em fechar as contas do mês, somada à falta de uma reserva financeira e à insegurança sobre o futuro, cria um quadro conhecido como estresse financeiro, que pode reduzir a produtividade, prejudicar os relacionamentos e comprometer a saúde física e mental.
Estabilidade financeira é vista como caminho para mais qualidade de vida
O estudo mostra ainda que 69% dos entrevistados acreditam que seriam mais felizes e produtivos caso conseguissem alcançar estabilidade financeira por meio de planejamento, controle dos gastos e melhor organização das dívidas.
Especialistas defendem que empresas também participem desse processo, promovendo ações de educação financeira entre os colaboradores. A expectativa é que iniciativas voltadas ao planejamento das finanças pessoais contribuam para reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e aumentar a produtividade no ambiente de trabalho.
















